Thursday, May 20, 2004

Anotações

A análise de relações simétricas

por ex. A = B / saber = poder / homem = mulher

pode nos fornecer parâmetros comparativos para a análise isomórfica e a identificação de identidades formais entre as estruturas dos integrantes da relação dada. Quando os elementos se correspondem (ou seja, naqueles usos de linguagem aceitos como válidos no contexto de enunciação, em que a utilização de qualquer uma das duas expressões possa ser utilizada – “saber/poder”, “homem/mulher” sem mudança perceptível de significação).

A formação de um campo semântico durante a constituição de uma zona de desenvolvimento proximal acontece de forma análoga à do processo geral de enunciação discursiva (que nos enreda das teias (a physis naturae) aos teares (physis ...) das disciplinas), o que por sua vez nos lança aos territórios caóticos da semiose geral e do fainestai.

Daí podermos dizer que o estabelecimento de relações simétricas, a configuração de isomorfias formalmente compatíveis (e, melhor, estrutural e funcionalmente compatíveis) e a possibilidade de recomposição de séries de saberes, de disciplinas e de dados nos permitiria propor

De acordo com a lógica do sentido, o paradoxo é apenas a percepção sobreposta de duas versões alternativas da realidade, o que gera contradição entre as leis básicas da verossimilhança natural (o composto dialógico que cria não apenas as redes discursivas, mas participa ativamente na construção de efeitos de realidade), enquanto a verossimilhança artificial (a compatibilização entre imagens-exemplo e definições ordenadas em feixes disciplinares que abrem campos de problematização onde, antes, havia apenas a percepção e o fluxo de consciência, configurando um espaço caosmótico).

Wednesday, May 12, 2004

Glossário pandoriático (provisório)

CONCEITO = totalidade de atributos caracterizadores de um signo (disponível num contexto).
DEFINIÇÃO = parcialidade de atributos estruturada pela consciência e formalizada pela linguagem.

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eu nunca poderei exprimir um conceito, mas posso intuí-lo pelo cruzamento de séries de definições
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NOÇÃO = nível de percepção anterior ao estágio da definição. A noção introduz a potência operacional (ter noção de algo nos habilita a pretender manipular esse algo, o que em alguns casos será possível; em outros, não).

Definições e leis do magnetismo metafísico

Imagine que cada ente definível num universo possa ser representado como um imã. Como funciona um ímã? Aparentemente, ele atrai certos entes, repele outros, e, ainda, mostra-se indiferente a outros. Muito já se disse sobre o magnetismo físico, mas muito pouco se havia podido dizer, até agora, sobre o magnetismo metafísico.

Ora, direis, ouvir estrelas. Mas, então, como funcionaria um tal magnetismo metafísico? Primeiro, cheguemos a um acordo, por inicial e provisório que seja, sobre uma expressão tão esdrúxula e ficcional. Magnetismo todos sabemos o que é; as linhas dadas pelo parágrafo anterior não terão sido de difícil compreensão, mesmo para leitores desavisados. Metafísica não. Tem fama de bicho-papão.

De acordo com nossos melhores arquivos e serviços de inteligência, no princípio era a physis. Havia physis quando a consciência humana entrava em contato com a naturezaz, e a achava boa, e a achava bela; e também quando a achava má, e a achava feia. A physis, no fim das contas, era o que brotava no homem quando ele encontrava a natureza: seus odores, pesos, massas, densidades, extensões, volumes, cores. A physis era, finalmente, "a" abstração da natureza.

Mas aí, opa!, se o homem entrava em contato com a physis, onde ele estava, quando não estava com ela? Em que lugar misterioso ia parar o homem, quando saía do mundo físico? Por não saberem como chamar a esse lugar (então) insondável, chamaram-no metá physis, ou seja, o (lugar) além da natureza.

Eu poderia, então, dizer que a matafísica fala sobre um lugar que não é um lugar (ao menos não no sentido em nos acostumamos a definir "lugar"), um mundo que não teria a mesma aparência do mundo natural, mas que, no teatro da consciência, ajudaria a produzir uma infinidade de entidades, às quais os antropólogos vêm, já há um bom tempo, chamando de "cultura".

Utilizando os mais avançados recursos disponíveis no C.A.N.E.T.A., demos início a uma série de investigações sobre as possibilidades de interação entre a física (physis naturae) e a metafísica (physis simbolicae. Como possuem status ontológicos distintos, precisamos recorrer ao L.A.P.I.S. para encontrar e formular representações compatíveis para cada uma dessas dimensões da realidade.

Sunday, May 02, 2004

Sobre o método pandoriático
Nossos leitores vêm manifestando grande interesse em conhecer maiores detalhes das práticas de economia, arquitetura e engenharia simbólica. Fundamentalmente, a pandoríase é uma maneira de formar representações que tornem inteligíveis as relações de trocas simbólicas (entre os próprios símbolos, entre os símbolos e a subjetividade, entre os símbolos e a socialidade e entre o signos e a produção de materialidade).

Não podemos dizer que a pandoríase seja um método científico de análise, não porque lhe falte rigor (a atenção ao detalhe é sua exigência mais fundamental); é que essa maneira de construir representações não apela para as similitudes e ordenações (espaciais, temporais e lógicas) do real a que estamos acostumados, ultrapassando-as em nome de uma representação imaginária muito mais ampla.