Wednesday, May 12, 2004

Definições e leis do magnetismo metafísico

Imagine que cada ente definível num universo possa ser representado como um imã. Como funciona um ímã? Aparentemente, ele atrai certos entes, repele outros, e, ainda, mostra-se indiferente a outros. Muito já se disse sobre o magnetismo físico, mas muito pouco se havia podido dizer, até agora, sobre o magnetismo metafísico.

Ora, direis, ouvir estrelas. Mas, então, como funcionaria um tal magnetismo metafísico? Primeiro, cheguemos a um acordo, por inicial e provisório que seja, sobre uma expressão tão esdrúxula e ficcional. Magnetismo todos sabemos o que é; as linhas dadas pelo parágrafo anterior não terão sido de difícil compreensão, mesmo para leitores desavisados. Metafísica não. Tem fama de bicho-papão.

De acordo com nossos melhores arquivos e serviços de inteligência, no princípio era a physis. Havia physis quando a consciência humana entrava em contato com a naturezaz, e a achava boa, e a achava bela; e também quando a achava má, e a achava feia. A physis, no fim das contas, era o que brotava no homem quando ele encontrava a natureza: seus odores, pesos, massas, densidades, extensões, volumes, cores. A physis era, finalmente, "a" abstração da natureza.

Mas aí, opa!, se o homem entrava em contato com a physis, onde ele estava, quando não estava com ela? Em que lugar misterioso ia parar o homem, quando saía do mundo físico? Por não saberem como chamar a esse lugar (então) insondável, chamaram-no metá physis, ou seja, o (lugar) além da natureza.

Eu poderia, então, dizer que a matafísica fala sobre um lugar que não é um lugar (ao menos não no sentido em nos acostumamos a definir "lugar"), um mundo que não teria a mesma aparência do mundo natural, mas que, no teatro da consciência, ajudaria a produzir uma infinidade de entidades, às quais os antropólogos vêm, já há um bom tempo, chamando de "cultura".

Utilizando os mais avançados recursos disponíveis no C.A.N.E.T.A., demos início a uma série de investigações sobre as possibilidades de interação entre a física (physis naturae) e a metafísica (physis simbolicae. Como possuem status ontológicos distintos, precisamos recorrer ao L.A.P.I.S. para encontrar e formular representações compatíveis para cada uma dessas dimensões da realidade.

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